quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Jornais e internet: a velha briga

O Grupo Estado, juntamente com diversos orgãos de notícias internacionais, vai apoiar a recente Declaração de Hamburgo, documento assinado pelo Conselho Europeu de Publishers (EPC) e a Associação Mundial de Jornais (WAN) que visa rever como sites agregadores de conteúdo, como o Google e o Yahoo, por exemplo, lidam com a propriedade intelectual gerada pelas empresas de comunicação. Segue o texto:

“A DECLARAÇÃO DE HAMBURGO
  • A internet é uma grande oportunidade para o jornalismo profissional - mas apenas se mantiver o equilíbrio econômico-financeiro das empresas jornalísticas nos novos canais de distribuição digitais. Não é o que acontece atualmente.
  • Vários agregadores de conteúdo utilizam obras de jornalistas, editores e empresas jornalísticas sem pagar por este uso. No longo prazo, esta prática põe em risco a criação de conteúdos de alta qualidade e o próprio jornalismo independente.
  • Por este motivo, precisamos melhorar a proteção da propriedade intelectual na internet. O acesso livre à web não significa necessariamente acesso livre de custos. Discordamos dos que afirmam que a liberdade de informação só será obtida com todos os conteúdos gratuitos.
  • O acesso universal aos nossos serviços deverá estar disponível, mas não queremos ser obrigados a ceder a nossa propriedade sem autorização prévia.
  • Assim sendo, consideramos necessárias e urgentes medidas para a proteção dos direitos autorais de jornalistas, editores e empresas jornalísticas na internet.
  • Não devem existir zonas da internet onde as leis não se aplicam. Os governos e legisladores, em nível nacional e internacional, devem proteger mais eficazmente os conteúdos intelectuais dos autores e produtores. Deve ser proibida a utilização, sem prévia autorização, da propriedade intelectual de terceiros.
  • Em última análise, também na rede mundial de internet deve valer o princípio: não há democracia sem jornalismo independente.”
Em texto publicado no site webinsider, Rafael Oliveira defende um ponto interessante ao notar que a Declaração de Hamburgo culpa os sites agregadores de conteúdo pela atual crise dos jornais e revistas impressos. Não é bem por aí.
Em post publicado há algum tempo, defendo o uso de outras maneiras de tornar o produto jornal - sim, ele é um produto como outro qualquer - de se tornar atrativo para o público. Eu defendo o uso do Design para gerar valor a esse combalido senhor feito de papel.
E ainda bem que eu não sou o único que defende esse ponto.
Primeiro, dando uma boa e crítica olhada nos jornais impressos da minha cidade - e convido a todos a fazerem o mesmo com os respectivos jornais de suas cidades - vejo que houve sim uma grande melhora na apresentação desse produto, mas, em grande medida, ainda estamos longe de puder considerar esses produtos algo mais atrativos ao público.
Basta pegar o exemplo do jornal San Francisco Panorama como exemplo.





De layout bem pensado, um formato menor, mais manuseável para o público, excelente disposição de texto e imagens, tipografia moderna e atraente, renomados jornalistas, articulistas escritores, designers, além de contar com uma bem pensada diagramação e colocação de publicidade - sem ser a poluição visual que vemos as vezes por aqui - o San Francisco Panorama é um exemplo de jornal moderno.
Nesse post publicado há um tempão que eu mencionei atrás, Jacek Utko, em palestra para o TED, expõe seu case do jornal Puls Bizesu. Vejam o video abaixo - se não fizeram isso antes - e observem como essa mudança significou, pelo menos nesse exemplo, um ganho em circulação e renda desse jornal.

Não dá pra remar contra a maré dos meios digitais. O conceito do free ainda vai render muita discussão pelo mundo afora e os meios de comunicação, geralmente - e vejam isso como uma crítica construtiva - são afeitos a inovações assim tão de imediato, ainda não conseguiram equacionar seu modelo antigo de geração de renda às novas demandas de uma geração que quer saber menos de papel e mais de notícia.
Tornar um produto atrativo foi uma estratégia que deu certo antes. Vejam, a título de exemplo, o caso da Havaianas, a onipresente sandália de plástico que, graças a uma inspirada jogada de marketing, mudar a percepção que o público tinha desse produto.
Por que não pensar o mesmo para os jornais?
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