segunda-feira, 28 de abril de 2008

Caso Isabela, pão e circo


Qual o peso de uma morte. Para mim, qualquer morte é lamentável. Mas o que assistimos no domingo passado, dia foi uma prova de que tem alguma coisa errada com a nossa imprensa. Tudo bem, a morte da menina Isabela foi horrível. Mas a morte de 100 mil pessoas em Darfur não deveria ter o mesmo peso? Existem agora categorias de mortes?
E o assédio da imprensa? A Record News e outras redes de televisão passaram o dia inteiro mostrando a fachada do prédio onde aconteceu o crime tecendo comentários e mais comentários redundantes sobre o que poderia estar acontecendo. Cara, dez horas de paredes externas são capazes de deixar qualquer um de saco cheio. Aproveitei o dia de sol e sai um pouco.
Isso sem falar na ânsia de acusar o pai e a madrasta. Na capa da veja da semana passada apareceu em letras garrafais “FORAM ELES!” Sem entrar no mérito da questão – mesmo porque nem eu nem nenhum jornalista é perito criminalista e nem trabalha no CSI para fazer julgamento de juízo sobre qualquer coisa antes, eu disse antes, de tudo ser esclarecido - isso tudo me lembra um filme muito legal chamado Doze Homens e uma Sentença, de Sidney Lumet. A semelhança entre o comportamento dos jurados do filme e a imprensa que tem certeza de tudo é assustadora.
Acho que o que aconteceu com a menina Isabela foi horrível. Mas o que a imprensa fez com ela foi bem, bem pior.
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