quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Primavera Verão Marisa ou "como o brasileiro está ficando chato" ou "procurando cabelo em ovo"


Não sei se vocês estão acompanhando a polêmica em torno do novo vídeo da loja de departamentos Marisa e sua coleção Primavera-Verão. A quantidade de dislikes supera em muito a quantidade de pessoas que gostaram do filme criado por Sophie Schoenburg, redatora da Almap BBDO e, para surpresa de muitos, mulher. Os comentários do vídeo mostram bem o tipo de mentalidade preconceituosa invertida que grande parte da população brasileira resolveu adotar. Uma moralidade retrógrada e imbecil que cheira ao recrudescimento do politicamente correto, aquele conjunto de leis que ninguém estabeleceu quais são suas diretrizes e que dizem que serve para resguardar a moral e os bons constumes e, em vez de ajudar, está cada vez tornando o brasileiro um povo chato.

Vejam o caso Geisy Arruda. Um belo dia ela foi na faculdade onde estudava com uma roupa que, por algum motivo, não se enquadrou nas leis não escritas de conduta dos alunos daquela instituição. O resultado disso você pode relembrar aqui. Agora, qual foi a verdadeira razão de tanta estupidez?

Se fóssemos nos guiar por esse povo que se sentiu ofendido pelo comercial da Marisa, o que parece ser uma tentativa atrasada e sem sentido de machistas ofendidos (homens e mulheres), deveríamos atacar o You Tube e pedir para que ele retirasse todos os vídeos dos Trapalhões. Quer mostra maior de preconceito que esse inocente programa infantil? Ou mesmo as piadas do saudoso Costinha, as piadas de loira, os vídeos do genial grupo Quase e tantos outros. Por esse povo que deu dislikes por uma coisa tão boba, essas transgressões do politicamente correto já deveriam ter sido queimadas pela Santa Inquisição.

Os ingleses há muito tempo aprenderam a rir de si mesmos. Vejam o exemplo antigo do grupo de humor Monty Phyton, ou as incríveis comédias The Office britanica e, mais recentemente a série Life’s too Short. Politicamente incorretas ao extremo. Mas tem que ser assim: uma única voz em uma democracia que se preze nunca é algo bom, mesmo supostamente querendo fazer o bem.

Em seu texto para o CCSP, Sophie Schoenburg defende uma questão que ela acreditava que já estivesse superado pelas mulheres: que elas tivessem evoluído o suficiente para rir de sí mesmas. “O humor é uma conquista maior.” Pura verdade.

No site Diário Coletivo, a minha colega de profissão Juliana Coelho, diz:
“A verdade, é que no fundo todo mundo é um pouco machista, é um pouco feminista, é um pouco viado, violento, purista, é um pouco preconceituoso, se acha superior, é inseguro. E se Deus quiser, somos no fundo um pouco humanos também. Não é apontando de forma violenta o defeito dos outros que vamos apagar esses poucos impregnados em nossa humanidade.Minha conclusão depois de ver esse vídeo e entrar na discussão?O que falta mesmo entre as pessoas é tolerância.E sim, um pouquinho de humor também.”
Digo mais: o brasileiro está se tornando, infelizmente, o povo mais sem graça do mundo.

Prefiro fazer parte da resistência.
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